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Berlinale: Hong Sang-soo na sua praia

On the Beach at Night Alone

O oitavo dia da Berlinale apresentou-se curto na secção competitiva, representada apenas por duas longas-metragens. A primeira, a do coreano Hong Sang-soo a “marcar o ponto” anual com On the Beach at Night Alone, filme em torno de uma atriz que, após um caso fracassado com um homem casado, encontra vários habitantes na cidade de Hamburgo para debater sobre o amor.

E é, de facto, Sang-soo na sua praia, num filme que não conquistará quem ainda não é fã, tal como não desapontará quem já o é. Mantém-se a estrutura fílmica dividida em partes (neste caso, duas), longos planos em cenas de refeição onde as personagens mostram-se debilitadas sentimentalmente e os diálogos em torno do amor e da sua (im)possibilidade de realização. No entanto, há aqui uma pequena revelação pela personagem de Kim Min-hee que consegue, rapidamente, passar de uma postura ternurenta e amistosa para outra provocatória e de inconveniência. Para não falar em breves momentos de surrealismo burlesco, onde um homem desconhecido aparece ocasionalmente para pedir horas, levar a protagonista aos ombros e outros quadros que nunca são justificados.

Falámos com o cineasta e a atriz na conferência de imprensa. Uma das jornalistas estrangeiras perguntou quem era o sujeito. A resposta? “Durante a rodagem de cada um dos meus filmes tenho coisas espontâneas. Neste caso, pedi ao diretor de fotografia [Park Hongyeol, também presente na conferência] para ir pedir as horas às personagens na cena. E decidi usá-lo continuamente ao longo do filme. Não tem nenhum objetivo”.

Joaquim

Outro perguntou-lhe sobre a mensagem do filme e obtivemos uma melhor noção do seu método de trabalho. “Eu não tenho um objetivo ou um efeito específico ou uma lição moral com os meus filmes. Tenho apenas de me assegurar dos atores, tempo, locais…. E depois combiná-los e tentar tirar de lá alguma coisa. Parece irresponsável, mas é assim que trabalho.

De seguida, foi exibida a coprodução luso-brasileira Joaquim de Marcelo Gomes, baseada na vida do mártir da Inconfidência Mineira, revolta abortada com o objetivo de libertar o Brasil do domínio português no século XVIII. Esta obteve uma receção fria da imprensa onde, para além de terem-se ouvido múrmuros de indignação com o final abruto, a audiência apressou-se a sair da sala, só surgindo, minutos mais tarde, poucas palmas diplomáticas.

E há, de facto, razões para esta reação, já que o cineasta brasileiro não chega a mostrar algo que justifique a importância da sua personagem, crendo que a audiência internacional já está familiarizada com ela. Como tal, o que vemos não é o período em que ficou recordado, mas o que o levou a segui-lo, focando-se o filme essencialmente numa busca frenética por ouro. Júlio Machado e Isabél Zuaa, como o protagonista e o interesse amoroso, exageram nos desempenhos que, com a pretensão de serem secos e pouco embelezados, acabam apenas por ser ruins. Para além do trabalho de câmara, forçadamente agitado e que denuncia o artificialismo da obra. Respeitamos o gesto anti-biopic, mas não passa disso.



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