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Gérard Courant, o Homem-Câmara, em Lisboa

Gérard Courant, de cognome Homem-Câmara, cineasta que explorou de forma intensificada as potencialidades do formato Super 8, estará na Cinemateca-Portuguesa Museu do Cinema, de 19 a 24 de junho, para apresentar uma retrospetiva dedicada à sua pessoa. Serão cinco sessões a ter lugar na Sala Luís de Pina, sempre às 18:30, contando com a presença do experimental realizador.

Courant iniciou no cinema, nos anos 70, com objetivos de amplificar um registo independente e livre. Foi nesse período que concebeu os Carnets Filmés, diários fílmicos que assumem simultaneamente a atitude de esboços para futuros projetos. O realizador conduziu variados experimentos que vão desde ensaios audiovisuais com ligação a outros cineastas e filmes, até à sua instalação fílmica, o “filme mais longo da História”, ainda em construção. Esse projeto, Cinématon, que arrancou em 1978 e que já contabiliza com uma duração de 198 horas compostas por filmagens em Super 8, obedecendo a um modelo rigoroso: um grande plano fixo único filmado em câmara num tripé, sobre o rosto da pessoa filmada, sem som e com uma duração igual à totalidade de uma bobine em Super-8, ou seja, três minutos e vinte e cinco segundos, uma longevidade de plano anti-natura do sistema académico cinematográfico. Segundo Courant, Cinématon, esse filme em peças, foi inspirado nos seus “estudos” às figuras de Andy Warhol e de Chantal Akerman.

Jean-Luc Godard par Gérard Courant

Recentemente, as Éditions Harmattan publicaram o dvd duplo Jean-Luc Godard par Gérard Courant e um livro de entrevistas a ser lançado ainda este ano. Para além disso, Courant é autor de livros sobre o cinema de Werner Schroeter e de Philippe Garrel.

É de mencionar que nesta retrospetiva, Gérard Courant organizou um programa de Cinématons de célebres cineastas, incluindo Manoel de Oliveira, Pedro Costa e Isabel Ruth. Para mais informação, consultar aqui



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