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«Shazam» encontra realizador

David F. Sandberg, realizador de Lights Out e Annabelle: Creation, prepara-se para integrar o universo cinematográfico da DC Comics, Shazam, o outrora conhecido Capitão Marvel.

O filme Shazam havia sido falado em tempos, muito devido à escolha de Dwayne Johnson como o arqui-inimigo - Adão Negro (Black Adam). Porém, foi divulgado que esse não será o vilão do filme, por sua vez a personagem antagónica protagonizará um filme próprio. O confronto entre as duas personagens estará agendada para um terceiro filme.

Shazam será produzido pela New Line Cinema, subsidiária da Warner Bros., especializado em filmes mais contidos e modestos, e irá arrancar a rodagem em janeiro de 2018.

Trailer de «Jigsaw», o oitavo filme de «Saw»

A Lionsgate lançou o primeiro trailer de Jigsaw, o esperado oitavo capítulo da saga Saw, que tem estreia prevista outubro.

Com sete filmes concretizados, Saw tornou-se numa das mais rentáveis sagas do cinema de terror, o qual rendeu no total mais de 800 milhões de dólares em todo o Mundo, números impressionantes tendo em conta que os capítulos não superavam os 50 milhões de orçamento.

Iniciado em 2004 por James Wan, hoje estabelecido como um dos mais influentes "homens do terror low cost" (The Conjuring, Insidious), Saw: O Enigma Mortal [ler crítica], remetia-nos à simples premissa de cerco, onde dois homens acordam misteriosamente acorrentados numa casa de banho. Para poder sair desta improvisada "prisão" terão que decifrar um puzzle "montado" por um temido serial killer conhecido como "Jigsaw".

Devido ao sucesso inesperado do thriller, a Lionsgate não teve medidas e lançou todos os anos um novo capítulo. Grande parte destes foram realizados por Darren Lynn Bousman, que não "vingou" para além da saga. O ator Tobin Bell era um dos protagonistas, interpretando o incansável serial killer, tendo como Costa Mandylor o seu cúmplice. Em 2010, devido aos evidentes "cansaços" do filão e do público, lançou-se Saw 3D [ler crítica], que fora prometido como o último capítulo da saga, apostando pela primeira vez na tecnologia de três dimensões.

Mandela Van Peebles, Laura Vandervoort, Brittany Allen e Callum Keith Rennie compõem o elenco, enquanto que os irmãos Spierig, Peter e Michael (Daybreakers, Predestination), são os realizadores deste "renascimento".

«Cars 3» (Carros 3) por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

Ka-chow! A toda a velocidade chegamos à segunda sequela de Cars, aquele que é considerado o lado mais mercantil da Pixar, tentando regressar à estrada após ter sofrido um "pequeno" acidente pelo caminho. Enquanto o estúdio tenta corrigir-se dos erros tomados no anterior, a megalomania e o espaço de antena exagerado para um dos secundários (quando não percebem que com pequena doses tudo torna-se mais que saudável), este terceiro filme sobre carros falantes aposta na veia emocional que todas as animações parecem ter contraído até então.

Por isso, colocando tudo em "pratos-limpo", este Cars 3 nada diferencia das enésimas produções hoje lançadas, qualquer que seja o estúdio por detrás, é o amontoado de clichés e lugares-comuns requeridos num enredo de previsibilidade. Porém, como se trata de uma resolução, um efeito de compensação e ao mesmo tempo uma afirmação do poder económico da Pixar (é preciso vender merchandising), digamos que este algoritmo 3 é um bon voyage das memórias motivadoras alicerçadas a um Rocky e suas sequelas. Depois da historia do "retorno triunfal aos ringues", neste caso "pista", somos presenteados com o "legado". Restringindo ao vocabulário da saga pugilista de Stallone, deparamos com uma espécie de Creed [ler crítica], a passagem do testemunho, a herança a servir de fim a um ciclo.

Nesse sentido, é assim fortalecido o lado fabulista da animação, as cadências emocionais que, em tempos, poderiam ser bem sucedidas e sacrifica-se o humor corriqueiro anexado a comic reliefs de qualquer espécie (damos graças por isso). O que torna este Cars 3 numa curiosidade cinéfila é a pequena homenagem a um dos actores que tanto nos deixa saudades e cujo o início, o filme de 2006, convertia-se na última vez em que a sua voz cansada, e de certa forma sábia, foi ouvida. Sim, refiro-me a Paul Newman, aqui replicado para seguir como uma meta-ênfase dramática, a sua encarnação digital no enredo do filme, e o timbre vocal que invoca as recordações, o legado deixado e imortalizado no espetador-cinéfilo. Só é pena que o testamento seja lido num produto tão esquecível como este.

Hugo Gomes

«Dunkirk» por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

É um bélico sem o sufixo de épico. Christopher Nolan recolhe os factos históricos que rodeiam a evacuação de mais de 300 mil militares aliados em 1940, nas praias de Dunquerque (França), um episódio crucial da Segunda Guerra Mundial que revelou ao mundo a ameaça ignorada que se o tornaram os alemães sob a ideologia nazi. Nessa recolha, Nolan assumiu-se preparado para retratar a batalha e a retirada, essa ferida no orgulho britânico, ao invés de personificar os idos do campo de guerra através de heróis patriotas, ou do maniqueísmo avassalador cujo tema suscita automaticamente.

E se o realizador, de origem britânica a operar em Hollywood, isola um pedaço de "História morta" ao serviço da sua narrativa, novamente contada em três espaços temporais em constante colisão resultante num só quadro, é verdade que todo esse argumento de reconstituição tornam Dunkirk num ensaio dramaticamente vazio.

Ao contrário de Titanic, de Cameron, em que a dita "História morta" entra em serviço do romanesco cinematográfico, neste bélico filme de jeito possante, a romantização está fora de alcance. Aliás, esta é a "nova " Hollywood idealizada por Nolan, numa cruel limpeza ao misticismo e ao simbolismo contraído nos putrefactos ventos saídos dos enésimos campos de batalha. Se fosse só isso, estaríamos calmos e serenos, esperando o reforço vindo da outra margem, mas não. Mesmo que as "vacas sejam sagradas" e "intocáveis", há que reconhecer que a megalomania tomou Nolan e a sua ambição de germinar um "espírito autoral" o atraiçoa, fazendo-o tropeçar nas suas próprias qualidades.

Se foi dito que o realizador é um artesão cuja emocionalidade é zero, eis a prova dessa inaptidão. Para contrariar, como trunfo na manga, surge a manipulação. Dunkirk arranca com a primeira nota de Hans Zimmer e é com ele que o espectador segue sem interrupções até à última da pauta. A ginástica cometida pelo compositor é tanta que chega a executar com mais exatidão o trabalho que estava encarregue a Nolan: o de adereçar às suas "personagens" as emoções necessárias, a tensão das ocorrências, aquela espera de um milagre que se faz hiperativamente de forma a competir com a (im)paciência da audiência.

É um filme de guerra mirabolante, quer na sonoplastia ensurdecedora, quer na edição "salta-pocinhas" e sob promessa do "time delay". Contudo, é nessa dita edição que não devemos perdoar essa grandiloquência produtiva. Nolan falha na técnica, não reconhece as dificuldades com que se filma em alto mar, em enfrentar as instáveis condições climatéricas marítimas, da coloração que o mar porventura dispõe diariamente.

Não há com que perdoar, Dunkirk tem um orçamento milionário, um realizador com uma liberdade em Hollywood invejável e a tecnologia atual que funcionam como verdadeiros feitos e facilitismos (sem com isto insinuar que grandes produções deveriam estar restringidas a estúdios e a chroma keys). Ou seja, depois de The Dark Knight Rises, este é o novo desleixo de Nolan, para além de ser um filme à sua imagem. Tão subtil que nem um camião-TIR, um peso-pesado sem graciosidade, sem a violência, quer gráfica, quer sentimental, das imagens, ou o constante barulho que retira qualquer experiência sensorial.

"The sweetest sound" clama Mark Rylance ao observar os caças aliados a sobrevoar sobre ele. Poderia ser o "som mais doce", mas Nolan impossibilita essa "audição", assim como é incapaz de nos oferecer o tão aguardado espectáculo que nos prometia. Longe da reflexão humana e social que Dunquerque possivelmente proporcionaria, Nolan atira-nos como epílogo um apelo ao "Novo Mundo" para resgatar este "Velho Mundo" em modo de ebulição.

Parece que afinal a "História morta" acaba por ser "História morta"!

Hugo Gomes

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