Menu
RSS

«The Circle» (O Circulo) por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

O que é pior do que um filme assumidamente fascista? Um filme que remexe em tais perspetivas e que não possui capacidade de os "exorcizar" (sendo esse o seu evidente objetivo). O Circulo é esse filme, uma ficção cientifica distopica tão próxima do nosso atual panorama sociopolítico, a tecnologia e a nossa dependência como novas formas de totalitarismo e a clara ideia de "direita"em optar a segurança extrema e por vezes excessiva frente à liberdade individualista.

Baseado num livro de David Eggers, esta obra de James Ponsoldt (The Spectacular Now) é um indicio proeminente de que Hollywood está cada vez mais à mercê das ideias anexadas ao fenómeno Trump e tudo relacionado. Recordamos que Paul Verhoeven, durante a apresentação do seu Starship Troopers no Film Society of Lincoln Center, confrontado com as notícias de uma nova versão do seu filme, com planos de fidelidade com o livro de Robert A. Heinlein, o realizador holandês alertou a possibilidade desta obra vir agradar a presidência Trump, visto que o estúdio não estaria disposto em absorver-se novamente na ironia e no cinismo. Obviamente que distopias são a melhor metáfora para orquestrar qualquer base ideológica e politica de forma subversiva e sugestiva, tendo a capacidade de esquivar a eventuais censuras e auto-censuras, mas será que estas mesmas não deverão ser metamorfoseadas consoante o contexto que nos envolve?

No caso de O Circulo, as boas intenções não pagam imposto (existe lá um certo fantasma NSA e Snowden), ao invés disso, é a sua incompetência extraordinária a fazer frente à distopia em si. Eis um filme que se preocupa com a imagem da sua atriz, Emma Watson (a passar de promissora a "fedelha" irritante), com a estética quase desktop da narrativa ("já entendemos, é uma rede social"), e todo um conjunto de soluções fáceis, moralismos concertantes e personagens secundárias sem dimensão e claro, sem carisma algum. Visto falarmos de uma irritante Watson, o que dizer doutra promessa, neste caso a estrela de Boyhood - Ellar Coltrane? O protagonista de um dos mais desafiantes filmes dos últimos anos oferece-nos um desempenho a esquecer, o mesmo que pelo qual este tão piroso Circulo está destinado.

O melhor - os espetros do tema

O pior - um filme altamente incompetente nas mais diferentes vertentes

Hugo Gomes

Festival de Cannes recebe novo filme de Roman Polanski

Roman Polanski é a mais recente adição da programação do próximo Festival de Cannes. O seu novo filme, Based on a True Story (D’après une histoire vraie), estará presente na 70ª edição do festival numa sessão Fora de Competição.

Tratando-se da adaptação do livro de Delphine de Vigan, o filme centra a sua história numa autora (Emmanuelle Seigner) com um bloqueio criativo, cujo seu mundo é abalado quando se depara com uma misteriosa mulher (Eva Green). O argumento foi concebido pelo próprio Polanski em colaboração com Olivier Assayas (Personal Shopper).

Para além do trabalho de Polanski, foi ainda anunciado outras obras que figurarão a montra cinematográfica mais cobiçada do ano, entre eles, o mais recente filme de Ruben Ostlund (Força Maior) – The Square – em Competição.

Destaca-se ainda a homenagem ao cineasta André Techiné, através da projeção do seu novo filme, intitulado de Nos Années Folles, e do filme-concerto Djam, de Tony Gatlif, a ter lugar no  Cinéma de la  Plage (Cinema na Praia).

 

OUTRAS ADIÇÕES

Un Certain Regard

La Cordillera, de Santiago Mitre

Walking past the Future, de Li Ruijun

Sessões Especiais

Le Vénérable W., de Barbet Schroeder

Carré 35, de Eric Caravaca

Sessão Infantil

Zombillénium, de Arthur de Pins e Alexis Ducord

«Fátima» por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

Cansaço ... é o que sentimos no final desta peregrinação. Simplesmente cansaço! Mas aqui não é um defeito, é uma virtude, o sentimento pretendido neste novo rol de realismo à lá Canijo, onde uma vez mais são as suas atrizes a liderar o processo criativo, mulheres que mimetizam o real e não o oposto. É a continuação do seu trabalho, os métodos experienciados para atingir a natureza-matriz do ator. O que os move? O que os faz atingir esse patamar? O que os torna, não inconfundíveis, mas sim confundíveis com o cenário envolto?

João Canijo tem-se submetido a essa experiência desde que a noite tornou-se escura [Noite Escura, 2004] e aí, gradualmente, tem avançado com uma aproximação ao realismo e ao mesmo tempo improvisando e sofisticando o processo de direção de atores. Foi com o É o Amor que a ideia de cruzamento surgiu, a do conflito entre a ficção, indiciada por "infiltrados" numa realidade que não lhes pertence, e do lado documental, o realismo aprisionado na lente e moldado para as infinidades da interpretação e reinterpretação. Nesse jeito, Fátima funciona nesse apoderamento do primeiro ponto, em constante abalo com o segundo. A veia documental encontra-se presente no percurso, na jornada replicada que se evidencia como um obstáculo de capacidades. As capacidades, por sua vez, encontram-se nas atrizes, subjugadas ao método de improvisação quase "strasbergiana".

A peregrinação torna-se então num coliseu de gladiadoras, atrizes que rivalizam egos e batalham pela atenção do espectador. Mas nem todas as atrizes são capazes de sobreviver neste "circo de feras", nesta estrada sem fim que assume como o palco de improbabilidades. Apenas duas (Anabela Moreira e Rita Blanco) concentram forças para a "pedalada" e é nelas que nasce um conflito tardio (dramaticamente falando), que atingirá um estado de ebulição de forma gloriosa. A satisfação surge aí. As personagens estão criadas e nessa frecha conseguem por fim separar-se da atriz num processo doloroso, demoroso e dispendioso que resumiu toda esta experiência. A da interpretação, a da matéria de que são feitos os atores e, por fim, do espectador, capaz de testemunhar esta instalação "sob milhas".

Ao contrário do que se julga, Fátima não é um filme religioso. Não no sentido católico do desfecho desta jornada. Nada disso. A religião é apenas evidenciada na composição das personagens e na crença mutua, das atrizes em relação a Canijo, e de Canijo em relação às atrizes. O embate final é um atalho para Fátima, o refúgio religioso que se converte na perfeita união de espírito e da cinematografia que Canijo consegue emanar através de imagens assombrosas!

Hugo Gomes

Trailer de «Carros 3»

Chegou um novo trailer de Carros 3, aquela que será a próxima produção da Disney / Pixar a estrear nas nossas salas em 2017.

Com direção de Brian Fee, que fora um dos artistas gráficos da saga animada, esta terceira aventura de Lightning McQueen leva-nos ao regresso do herói às pistas de corrida, após o afastamento em consequência de uma competitiva e nova geração de corredores.

Estreia prevista para 15 de junho de 2017 nos cinemas portugueses 

Atenção! Este website usa Cookies.

Ao navegar no website estará a consentir a sua utilização. Saber mais

Entendi

Os Cookies

Utilizamos cookies para armazenar informação, tais como as suas preferências pessoais quando visitam o nosso website. Os cookies são pequenos ficheiros de texto que um site, quando visitado, coloca no computador do utilizador ou no seu dispositivo móvel, através do navegador de internet (browser). 

Você tem o poder de desligar os seus cookies, nas configurações do seu browser, ou efetuando alterações nas ferramentas de programas AntiVirus. No entanto, isso poderá alterar a forma como interage com o nosso website, ou outros websites.

 Tipo de cookies que poderás encontrar no c7nema?

Cookies estritamente necessários : Permitem que navegue no website e utilize as suas aplicações, bem como aceder a eventuais áreas seguras do website. Sem estes cookies, alguns serviços que pretende podem não ser prestados.

Cookies analíticos (exemplo: contagem de visitantes e que páginas preferem): São utilizados anonimamente para efeitos de criação e análise de estatísticas, no sentido de melhorar o funcionamento do website.

Cookies funcionais

Guardam as preferências do utilizador relativamente à utilização do site, de forma que não seja necessário voltar a configurar o website cada vez que o visita.

Cookies de terceiros

Medem o sucesso de aplicações e a eficácia da publicidade de terceiros. Podem também ser utilizados no sentido de personalizar widgets com dados do utilizador.

Cookies de publicidade

Direcionam a publicidade em função dos interesses de cada utilizador. Limitam a quantidade de vezes que vê o anúncio, ajudando a medir a eficácia da publicidade e o sucesso da organização do website.

Para mais detalhes visite http://www.allaboutcookies.org/

Secções

Quem Somos

Segue-nos

Contactos