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«X - The eXploited» por André Gonçalves

Uma Budapeste virada de pernas para o ar. É assim que entramos neste thriller de mensagem política, e é esta a forma que o realizador e co-argumentista Károly Ujj Mészáros escolhe para exemplificar o mundo virado do avesso da sua protagonista (uma bem escolhida e minimamente eficaz Mónika Balsai), uma detective criminal que tem ataques de pânico nos locais de crime.  

É perante esta aversão caricata que o filme faz de seu cartão de chamada e de distinção (leia-se originalidade) perante os demais, quando de facto, esta tensão derivada de um trauma do passado, de um agente de controlo com sérios problemas mentais por resolver, é basicamente o cimento base para toda este subgénero de origem nórdica. Aqui, o show off da sua realização depressa se torna bem mais aborrecido que qualquer introdução "obrigatória" de um flashback. É que se uma sequência de planos "ao contrário" pode impressionar e dar um bom sinal de partida, escolher sempre o mesmo método para a transição de cenas, como se a repetição obsessiva fosse em si o objetivo e não o meio, é meio caminho andado para o espectador sair um pouco do realismo que aqui tanto se tentava implementar.

Em adição a esta particularidade, o que há aqui também em termos narrativos é um investimento sem grande reembolso em algumas personagens terciárias para montar uma sequência de pistas falsas - como se houvesse aqui uma base melhor para transformar o material em mini-série.  

O passado comunista, e agora de extrema-direita do país de berço de Mészáros (Hungria) pedia inevitavelmente um olhar político. Este realizador tem a preocupação de espelhá-lo minimamente e obviamente - na maneira como o misterioso assassino vai deixando as suas mensagens espalhadas pelos corpos, e no uso de simbologia próxima de um neofascismo (o "the eXploited" do título, tatuado como um X na nuca de um suspeito, e como título de um blogue que decide, como tantos outros espaços virtuais bem próximos da nossa realidade, papaguear e misturar temas, a injustiça de uns com o direito à superioridade destes sobre os demais). É um olhar crítico q.b., sim, mas não é também o suficiente para que The eXploited ocupe um lugar de maior destaque num sem número de ofertas semelhantes, e de maior orçamento para se projetarem. Poder-se-ia chamar de pequena desilusão, se tivessemos tido tempo para guardar expectativas. 

 

André Gonçalves 



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