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«Destroyer» (Ajuste de Contas) por Hugo Gomes

Uma Nicole Kidman desfigurada não salva um policial sem personalidade. Esse, incapaz de resolver os demónios inerentes, quanto mais avançar por uma missão de “search and destroy” com conotações pessoais.

Destroyer: Ajuste de Contas tinha a seu dispor todos os instrumentos para orquestrar um corajoso filme posicionado na natureza exaustiva de thrillers ambíguos, aliás, esses tons de cinzentos são tão próprios como a da protagonista, uma atriz que se demonstra pronta para desfazer a teoria da estatueta, auto-desafiando em trabalhos cada vez mais exigentes e forasteiros dos seus territórios confortáveis. Mas se Kidman é a força da natureza aqui, na verdade é porque é a única capaz de “sujar as mãos” para colocar estes amontados de lugares-comuns no seu devido eixo, enquanto que a realizadora Karyn Kusama (só de lembrar que esteve por detrás de “coisas” como Aeon Flux …) nada o faz para os mover (ou demover).

Se o filme corresponde de A a B e consequentemente a C, sem qualquer tipo de reflexão, intercalando por flashbacks intrometidos que não deixam nada ao espectador, Destroyer é assim inóspito de ideias, de sentimentos, estéticas, e sobretudo de contexto social e político. É um mero episódio de revisão aos códigos deste género onde a protagonista safa-se imaculada, mas até isso poderia virar um problema, pois o argumento assinado por Matt Manfredi e Phil Hay (responsáveis por Aeon Flux … a sério, o “filme” persegue-nos) é de difícil resolução, deambulando pelo óbvio, e utilizando a sua estrela numa derivação que se confunde com o prolixo do guião (quase adquirindo um falso tom malickiano, por outras palavras, “tentativas de maliquices”).

Os resultados são dececionantes, no sentido em que não existe cerebralidade no tratamento deste modelo de crises existenciais de uma detetive à beira de um ataque de nervos. Quanto à atriz, é o melhor que o filme tem para oferecer ... 

Hugo Gomes



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