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«The Guilty» (O Culpado) por Jorge Pereira

Thrillers em espaços confinados têm fascinado os cineastas, com personagens a terem de lidar com situações problemáticas em espaços bem delimitados como um autocarro (Speed), carro (Locke; O Desconhecido), uma cabine telefónica (Phone Booth) e até um caixão (Buried-Enterrado). O mesmo elemento em comum é uma ligação telefónica, o meio de contacto entre o protagonista e o resto do mundo, sejam os vilões, ou no caso deste The Guilty (O Culpado), a vítima.

Jakob Cedergren é Asger, um polícia destacado para os serviços de emergência. De pequenos assaltos, a acidentes de bicicleta a estados de embriaguez, Asger passa a noite sentado em frente ao seu computador a receber chamadas e pedidos de ajuda. Porém, essa dinâmica vai ganhar um novo rumo quando uma mulher liga e dá a entender que foi raptada. Ele é então forçado, sempre sentado na sua secretária, a ajudar a mulher, estando em permanente contacto com as diversas autoridades.

Quase totalmente passado numa secretaria, este thriller de call center é um objeto eletrizante que canaliza a sua tensão através daquilo que não sabemos (e nos é apresentado a conta-gotas) e não vemos, mas ouvimos. Na verdade, estamos numa posição semelhante ao do nosso protagonista, que vai absorvendo informação à medida que ela é divulgada e atua em escassos segundos, com o risco de deitar ou não tudo a perder. Nesse aspeto, The Guilty é bastante engenhoso, porque não se fixa simplesmente no "rapto" em curso, mas faz o espectador conhecer mais Asgar, as razões que o levaram até aquele posto e aquilo que ele está a lidar a nivel profissional e pessoal.

Na verdade, estamos perante um homem nos limites que vê nessa chamada uma forma de redenção, levantando-se pelo caminho questões e reflexões morais sobre o seu comportamento no passado e que destino terá no futuro. Um dos filmes mais tensos e surpreendentes do ano.


Jorge Pereira



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