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«Dovlatov» por Ilana Oliveira

Com uma estrutura que retrata apenas 6 dias seguidos, Dovlatov é uma tentativa de narrar a vida de um dos escritores russos mais brilhantes da História, face à estagnação cultural do seu país durante um período de repressão.

Sob o fantasma da falha sistémica, diferentemente do que a grande maioria das cinebiografias costumam explorar (o qual são sempre representados no grande ecrã tempos de epifania criativa ou completo falhanço pessoal e envolvimento com drogas), temos o Sergei Dovlatov de Milan Maric a demonstrar todo o seu potencial de força corporal, mas a contrastá-lo com uma personalidade perseverante e gentil.

O elenco de apoio é agraciado com boas interpretações de Danila Koslovsky, intérprete de David, um artista e amigo próximo de Dovlatov, responsável por uma das cenas que eleva o guião a uma tensão mais realista e próxima daquilo que propõe, e Helena Sujecka, como Elena Dovlatova, provando que merecia mais tempo de antena.

O argumento da longa-metragem, entretanto, prefere mostrar um personagem principal reativa e uma União Soviética monótona, num recorte da sociedade de classe média que por vezes era punida, por vezes ficava sem emprego. No que resulta uma realidade que causa menos engajamento do espectador, já que vê-se diante de uma abordagem fria e complacente.

Aleksey German (realizador e argumentista da obra) peca no recorte de sua história, mas dá ao público uma bela visualização da mesma, explorando movimentos de camara que conferem algum dinamismo ao projeto. O plano-sequência inicial é uma inserção ao mundo de Dovlatov e resume sua dinâmica com ele mesmo, perpetuada durante todo o seu retrato.


Ilana Oliveira



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