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«High Life» por Ilana Oliveira

Claire Denis apresenta-se novamente ao público para fazê-lo pensar. Realizadora com uma tendência para o subversivo, a francesa traz ao grande ecrã a história de condenados à prisão que, num futuro não tão distante, são enviados numa missão espacial com esperanças de sucesso quase nulas.

Protagonizado por Robert Pattinson, que agora traça com maestria sua linha profissional bem longe do fantasma da saga Twilight, o jovem Monte é a representação do ponto de equilíbrio entre os companheiros de expedição. A sua loucura, mesmo que elevada por conta da situação hostil e solitária, encontra meios de escape que resultam na sua sobrevivência. Este controle, entretanto, não adquire muita força nas expressões de Pattinson, e não rende um de seus trabalhos mais relevantes como o excecional Good Time, dos irmãos Safdie.

Também em papel de destaque encontra-se Juliette Binoche. Ela, personagem central da cena mais bela visualmente do filme, encarna a pesquisadora Dibs, condenada por ter matado os próprios filhos. Possuidora de uma ganância perturbadora sobre as suas experiências, também leva nas costas as sequências mais subversivas de todo o projeto, uma delas envolvendo até mesmo um abuso sexual da parte dela.

Uma das forças desta trama tão ilusória e exploradora das relações intrapessoais é a exploração das cores e da utilização dos poucos espaços existentes dentro daquela nave. Os subenredos acabam também por serem caracterizadas pelo cinza, quando expressam o abandono; o verde, quando retrata o esperançoso personagem de Tcherny - variações que adicionam camadas e peso à narrativa.

No entanto, a falta de orçamento pode ter sido um problema na exploração das promissoras paisagens espaciais, e retira o espectador do seu engajamento quando utiliza de técnicas até amadoras para criar, por exemplo, a noção de profundidade.

Por fim, o gore complementa com força toda a composição do tom do último projeto de Denis, que surge para colocar em questão os diversos tipos de relação, entre elas paternal, comunitária e até mesmo pessoal.

Ilana Oliveira



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