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«Mi querida cofradía» (Devota Com Pouca Sorte) por Jorge Pereira

Promete bastante esta primeira longa-metragem de Marta Diaz, um olhar humorístico e mordaz sobre o machismo nas instituições religiosas e sociais numa cidade andaluza, mas as boas intenções ficam pelo caminho, não só pela ausência de verdadeiramente cinema, mas também pela opção em marcar passo com uma comédia de costumes banal que vai servindo gags com mais ou menos engenho.

Carmen dedica-se há mais de 30 anos à irmandade religiosa da sua povoação e o seu sonho é tornar-se a líder, algo utópico num círculo social dominado pelos homens. Depois de uma votação, Ignacio é eleito o líder da instituição, mas após um incidente, Carmen deixa-o inconsciente e tem de escondê-lo em casa. O problema é que nesse preciso instante, a sua filha decide voltar para a casa da mãe.

Filmado de um jeito teatral (ação resumida a muito poucos espaços), mas com uma lavagem mais de TV do que de Cinema, Mi Querida Confraria desperdiça um bom tema pois prefere riso fácil de situações imediatas, do que usar o sarcasmo ou ironia num tema que deveria ser tratado com mais profundidade e sagacidade. Isso sente-se especialmente após Ignacio colapsar e a filha da protagonista chegar, sobrevivendo mais o filme das peripécias da mulher em esconder o homem - com as amigas e filha à mistura - do que no foco da temática machista.

Podiamos assim estar perante uma espécie de novo Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos em modo de Semana Santa, especialmente quando olhamos para o trabalho das secundárias Carmen Flores Sandoval e Pepa Aniorte, que a certo momento se tornam cúmplices de toda a situação, mas Cruz não é Almodóvar e no final sobrevive é a comédia descartável com três gerações de mulheres metidas ao barulho e ainda um romance tele novelesco com toque pastelão.


Jorge Pereira



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