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«1938 Diversi» por Jorge Pereira

"O fascismo pode voltar sob o mais inocente dos disfarces. O nosso dever é expô-lo e apontar quaisquer novas ocorrências -todos os dias, em todas as partes do mundo". Estas palavras de Umberto Eco ecoam no final deste 1938 Diversi, documentário de Giorgio Treves que reconstrói através de capítulos a chegada do Fascismo a Itália nos anos 20 e 30 do século passado pelas mãos firmes e rígidas de Mussolini.

Treves, cineasta já nomeado ao Oscar e conhecido por ter trabalhado como assistente de realização para nomes como Vittorio De Sica, Francesco Rosi e Luchino Visconti, volta ao passado para reconstruir a implantação da ideologia em Itália, mostrando aquilo que a separava do fascismo de Hitler e como a certo ponto essa diferença se tornou nula.

Da chegada de Il Duce ao poder, à importância da Guerra da Etiópia, passando pela perseguição dos judeus e do assumir do Racismo, Treves usa imagens de arquivo, entrevistas, recortes de jornal e até animações para executar um pequeno documentário com pouco mais de uma hora sobre a ascensão do populismo, fazendo entrelinhas um paralelismo com a situação atual, sem nunca mencionar o nome que todos não querem dizer: Matteo Salvini.

De inquestionável pertinência e urgência nos tempos que correm, embora limitado e por vezes demasiado superficial (veja-se que pouco se fala do papel da Igreja Católica no Fascismo), 1938 Diversi é assim um documento inestimável e uma análise contemporânea sobre os erros do passado que tendem a repetir-se. Pois como o diabo e como Eco dizia, o fascismo pode aparecer disfarçado de muitos outros nomes, como o nacionalismo ou o patriotismo.


Jorge Pereira



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