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«Larguées» (Lá Vamos Nós Outra Vez!) por Jorge Pereira

Remake de um filme dinamarquê sde 2014 (All Inclusive) - que já tinha tido um nova versão sueca no ano passado (bem-vindos ao cinema atual!) - Larguées é uma comédia delicada e doce sobre como duas filhas tentam animar a mãe que foi abandonada pelo pai. O trio parte para a Ilha da Reunião para um daqueles resorts repletos de atividades e onde o que salta a vista é um estrutura fabril para proporcionar momentos de lazer a turistas.

É na dinâmica do trio que toda a obra se apoia, com as atrizes Miou-Miou, Camille Cottin e Camille Chamoux a cumprirem nos seus papéis aparentemente estereotipados, mas que se olharmos com atenção têm toques demasiado pessoais e únicos que dão uma diferente dinâmica a uma obra que tinha tudo para ser um carnaval de lugar comuns, mas não chega inteiramente a ser. Sim, é verdade que existe uma enorme proximidade entre enredo do filme de 2014, o de 2017, e este, mas é nos diálogos e outras especificidades que Larguées consegue mostrar alguma personalidade.

Ao tom discreto de Miou-Miou, contrapõe Cottin com imprevisibilidade e espontaneidade, enquanto Chamoux entrega uma figura repleta de auto-análise e agarrada a regras e convenções. No meio delas estão também algumas personagens secundárias, todas elas com alguns toques peculiares que lhes dão uma dimensão razoável e multicamadas, embora estas estejam sempre distantes de poderem em algum momento roubar as luzes da ribalta ao trio. Nestes, destaca-se Johan Heldenbergh (de Broken Circle Breakdown) no papel de um barman e apresentador de espetáculos no resort que vai funcionar com um não muito convencional interesse amoroso de uma das personagens, isto depois de já ter dormido com outra delas. Mas mais curioso é descobrir que no filme original esse papel cabia ao português Diogo Infante.


Diogo Infante na versão 2014 | Goran Bogdan (2017) | Johan Heldenbergh (2018)

O resto da obra são diálogos mais ou menos naturais que primam pela simplicidade e sinceridade, sem situações rocambolescas ou esquematismos exacerbados de comédias feitas para massas, primando a auto-ironia, a ausência de complacência, condescendência e alguns momentos de humor picante. Peca o trabalho da realização ser tão convencional e agarrado à origem do material, mas dessa simplicidade sai reforçado o guião e a interpretação das atrizes, que proporcionam durante hora e meia uma comédia com alguma coisa para dizer.


Jorge Pereira

 



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