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«Sibéria» por Jorge Pereira

Romance encapotado de thriller com criminosos russos a "pisarem os calos" a um Keanu Reeves em modo John Wick a Vallium (Reeves a fazer de Reeves) que tem de encontrar uma maneira de entregar um lote de diamantes a um intimidante criminoso, Boris Volkov (Pasha D. Lychnikoff), mas que no processo inicia uma relação extraconjugal com a responsável por um bar, Katya (Ana Ularu).

Nas suas duas componentes, romance e thriller, o filme revela-se um valente desperdício de tempo e talentos, havendo apenas alguma faísca quando os dois elementos se cruzam, como o momento em que um barão criminal obriga - entre linhas- a nova companhia de Reeves a o satisfazer.

Nisto tudo não ajuda o ritmo lento que Matthew Ross impõe a toda a obra, não que isso seja o grande problema do filme (ou a qualquer filme), já que o que se quer focar é a angústia da gélida e inexpressiva personagem de Reeves perante tudo o que vai acontecendo: o desaparecimento de um amigo (Pyotr) que tinha os diamantes que ele deveria entregar ao grande vilão, deixando-o em maus lençóis; a forma como encara a sua relação extraconjugal na sua vida "reservada" até aí. O problema é a que a imposição deste ritmo não é acompanhada pelo argumento, o qual não vai além de uma história de amor fatalista demasiado superficial onde só as cenas de sexo tendem a dar algum calor e cortam com a frieza da palete de cores que o cineasta aplica, replicando também a gélida paisagem.

Para piorar, neste caso de uma equação de traição, um dos elementos do triângulo amoroso, a esposa de Reeves (Molly Ringwald), é um mero adereço restringido a uma figura à distância vista através de um monitor. Como tal, sobressai apenas a visão resignada de amor complicado de um Reeves apanhado em circunstâncias problemáticas, mas muito mal exploradas.

Já na sua vertente de thriller, os lugares comuns e a previsibilidade das relações e problemas de Reeves com o líder dos criminosos, um sádico homem com conceitos de irmandade psicopatas (não muito diferente de diversos vilões made in Russia), minam toda obra que nunca demonstra um verdadeiro objetivo ou propósito.


Jorge Pereira



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