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«Las Hijas de Abril» (As Filhas de Abril) por Raquel Soares

A inesperada loucura não é tema desconhecido no cinema. Nos maneirismos de Fatal Attraction, muitos filmes vieram desenvolver a ideia da quimera que vive por aí escondido entre nós, meros mortais, e que nos ilude tão bem que quando nos apercebemos já é tarde demais. Michel Franco faz isto de forma perfeita, envolvido no seu estilo tão perto da realidade que vamos perdendo as pistas da catástrofe que se aproxima.

Quando pomos lado a lado As Filhas de Abril com a restante obra de Franco, vemos como tão similar é do resto dos seus filme, derivado ao seu realismo e utilização de retalhos de vida quotidiana para contar uma história, destacando o jogo constante de dinâmica entre personagens e pelo interessante uso de cor.

Este é um filme inegavelmente mexicano, todo o ambiente é construído de forma palpável. Usa os 4 sentidos para criar algo inegavelmente distinto. Sente-se o calor nas tardes abrasadores de verão e a brisa matinal. A fotografia destaca o brilho tanto das comuns cenas de praia como a inesquecível cena de uma adolescente grávida deitada nua no sofá.

O mesmo se pode dizer sobre as personagens, todas simpáticas, suficiente à superfície, mas todas estas cada vez mais odiosas à medida que escavamos a fundo. Não existem “vilões” nem “heróis” nesta narrativa, nem moralidade ou a decisão certa a tomar. Este é um reflexo sobre mães e filhas e como as linhas entre uma e outra são mais difusas do que pensamos. É um filme sobre como a família é constituída. Todas as personagens principais estão em permanente desenvolvimento, mesmo quando nos apercebemos disso - nenhuma ação é inocente - não conseguimos (na maior parte do tempo) prever o que vão fazer a seguir. O realizador monta assim um puzzle de relações familiares que se constrói em maneiras menos naturais.

É um filme que obriga a paciência, alternando sempre entre as cenas corriqueiras sem utilidade e cenas que desferem como um murro no estômago. Um filme que te sabe melhor depois de um dia ou dois a pensar nele.

Raquel Soares



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