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«Mobile Homes» por Hugo Gomes

Seguindo rasto na historieta de “mães-monstros” e do chamado white trash norte-americano, o parisiense Vladimir de Fontenay avança com um filme frio sobre afetos como inconfidência naquela que é a sua segunda longa-metragem.

Com personagens encurraladas na sua marginalidade, instáveis como as casas “transportadas” de um lado para o outro o qual servem de temática, o realizador explora a superfície de um mundo ilícito, forçado a existir perante a precaridade, ou até à sedução de tais ecossistemas. Trata-se de um exemplo curioso, mas batido enquanto retrato social. A juntar a isso, o facto de Mobile Homes exibir uma derivação no que requer a alcançar uma especifica voz estética. Aliás, muito destes novos nomes emergentes do cinema tendem em abdicar do estilo para enquadrarem-se na linguagem visual dos tempos que o acolhera, ou seja, a televisão pró-espetáculo, e o austero possível da violência frontal do handycam. E é pena que essa “voz” à espera de ser encontrada seja um obstáculo para que Fontenay permitisse o filme fluir como um exercício acima do panorama visto em hoje em dia.

Contudo, esta história de nómadas que sobrevivem através de “migalhas” e “cacos”, os fura-vidas de uma América que parece não os suportar, é em jeito siderúrgico, um frio aço que se vai vergando pelo contrastado calor de um sentimento depositado. Esse, um sentimento maternal, inicialmente repudiado em mais um conto suis generis (assim dava a entender), leva-nos a uma derradeira redenção. Fontenay evidencia de um cuidadoso sistema de calculo emocional, submetendo estas suas personagens em graduais desenvolvimentos do foro afetivo. Obviamente, que estes seus peões funcionam graças à exatidão dos atores, nomeadamente Imogen Poots, sujeitando-se ao perfil de “farrapo” humano, e o ascendente Callum Turner (num papel pensado para o falecido Anton Yelchin). Pois, Fontenay pôde certamente contar à vontade com os seus interpretantes.

Mobile Homes é uma espécie de “castelo andante”, encantado pelo seu próprio desencanto, deslumbrado pela energia que o faz mover perante terrenos vários e ao mesmo tempo desengonçado e a um passo da ruína total graças ao “ruidosa” dessincronização. Faltou a Fontenay a afirmação de alguém que deseja ser uma voz, e não um exemplo de um cinema geracional.

Hugo Gomes



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