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«Psychokinesis» por Jorge Pereira

Roo-mi (Shim Eun-kyung) é uma jovem que administra um restaurante numa zona pressionada por um gangue de vilões que querem desocupar o espaço para que uma empresa da construção civil possa criar um centro comercial. Quando a sua mãe morre numa disputa com os vilões, Roo-mi avisa o pai, Seok-heon (Ryu Seung-ryong), um segurança que não tem contacto com ela há vários anos. Quando este homem de existência mundana bebe água contaminada devido à uma queda de um meteorito, começa a desenvolver poderes psíquicos, indo assim ajudar a filha nesta luta desigual contra o capitalismo mais selvagem e a podridão moral.

O cinema de Sang-ho Yeon sempre balançou entre o puro entretenimento e o tom crítico às questões sociais e políticas que fustigam a sociedade sul-coreana, a dualidade ricos e pobres, poderosos e plebeus, corruptos e honestos. Basta lembrar o díptico Seoul Station & Train To Busan, filmes de zombies que apresentavam através das suas personagens e eventos algo de muito doente na sociedade sul-coreana (e no mundo).

Neste Psychokinesis, os temas sociais e as relações familiares (pai-filha, mais uma vez) voltam a estar em foco no enredo, mas o tom adulto, sombrio, cruel e visceral, tão visto por exemplo em King of Pigs, um dos trabalhos mais conseguidos do cineasta, é perdido para uma abordagem juvenil, superficial e do entretenimento descartável como fim absoluto.

Os contornos de filme de super-heróis estão bem vincados por aqui e nem o ambiente descontraidamente "camp" salva um filme que joga mais à superfície que em camadas, sendo facilmente um dos trabalhos mais dispensáveis da carreira deste realizador, mesmo que a separação entre cães e porcos da sua primeira longa-metragem seja aqui novamente replicada. Uma pena.


Jorge Pereira



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