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«Marshall» por Jorge Pereira

28 anos depois de se estrear na realização com A Festa do Rap, e 16 anos após levar aos cinemas Divórcio de Milhões, Reginald Hudlin regressa ao grande ecrã com Marshall, um drama biográfico que se centra na figura de Thurgood Marshall, o primeiro afro-americano a fazer parte do Supremo Tribunal dos EUA e uma figura importante da defesa dos direitos civis da comunidade negra nos EUA.

Ao contrário das cinebiografias em geral, esta fita foca-se num caso que o na época advogado da National Association for the Advancement of Colored People (NAACP) teve de lidar, numa estrutura e história onde é inevitável mencionar To Kill a Mockingbird (Mataram a Cotovia, o livro; Na Sombra e no Silêncio, o filme), não fosse esta uma história sobre um negro que tem de provar em tribunal que não violou nem tentou matar uma rica mulher branca (Kate Hudson).

Filme de tribunal com uma linguagem que varia demasiadas vezes entre o Cinema e a TV, Marshall ganha pontos devido à poderosa atuação de Chadwick Bosman e por estarmos na presença de um argumento com textos suficientemente inteligentes - que navegam entre o drama, o humor e o mistério - para ir mais além que um genérico Perry Mason (e os seus truques na barra do tribunal) transladado para o grande ecrã.

Mas o que mais agrada por aqui são mesmo as várias camadas da personagem de Thurgood, num registo onde Hudlin se afasta da mera prestação de vassalagem ou de pura e cega homenagem histórica com todos os artifícios da época recriados. A sua relação com o seu colega, que com ele vai marcar presença em tribunal (Josh Gad), é outra mais valia, isto num filme que apesar do seu estado tíbio permanente, mas nunca entediante, lá nos vai satisfazendo como objeto histórico que sai da esfera da discriminação racial nos EUA e migra, embora timidamente, em pano de fundo, para a segregação que também acontecia na Europa, com a ascensão de Adolf Hitler.

Sim, é verdade que tudo soa a muito pouco sobre esta figura, mas fugindo ao registo habitual dos biopics formatados e vendidos em fórmulas sobre fórmulas, Marshall tem mais virtudes que defeitos.


Jorge Pereira



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