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«Snatched» (Olha Que Duas) por Jorge Pereira

Quinze anos depois de As Manas Rock, Goldie Hawn regressa ao cinema com Olha que Duas, uma “comédia” que funciona apenas e só como um veículo promocional para Amy Schumer fazer mais do mesmo, o que nos trabalhos mais recentes da comediante se resume a objetos desinspirados e sem inteligência no humor.

Muitos são os pontos que unem a personagem de Schumer com a que tinha em Descarrilada, mas aqui a “carne para canhão” – para além dos secundários lamentavelmente mal aproveitados, como Wanda Sykes, Joan Cusack e Ike Barinholtz – é a sua companhia de viagem pelo Equador, Hawn, aqui como uma mãe “forçada” a ir com ela porque a vida da filha “descarrilou” e em poucos momentos ficou sem trabalho, namorado, e sem companhia para as férias.

O resto são peripécias de filmes de confronto geracional entre mãe e filha, tudo por terras sul-americanas, e tudo num registo de comédia de desastre nas férias, onde não falta a visão cliché da região, isto é, apenas há dois tipos de pessoas nestes destinos exóticos: aqueles que servem os turistas e aqueles que são um perigo para eles.

O resultado final é absolutamente um desastre, entre o dèjá vu e o extremamente previsível, com Schumer a nunca conseguir elevar o argumento medíocre que a sobrevalorizada Katie Dippold (The Heat, Ghostbusters) escreveu, enquanto Hawn fica como um adorno, uma luz de presença, que devia claramente ter escolhido outro filme para regressar.

Se a certa altura o namorado de Schumer lhe diz que ela não tem qualquer rumo na vida, a nós desde o início apetece dizer à argumentista e ao realizador que eles não têm nada para contar nem qualquer rumo para o filme. Por isso, se querem uma boa comédia para o verão, então não é neste Snatched que vão encontrar e a única vantagem que há por aqui é o facto do filme ser relativamente curto. Mas até aí bem sabemos bem quanto o tempo consegue ser relativo...

Jorge Pereira



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