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«Zvizdan» (Sol de Chumbo) por Hugo Gomes

Segundo o próprio realizador, Dalibor Matanic, Sol de Chumbo (Zvizdan) nasceu a partir dos conselhos da sua avó, que pedia por tudo para que o seu neto nunca arranjasse uma namorada Sérvia. Para ele, era impercetível para uma pessoa que lhe ensinou sobretudo a amar incondicionalmente, pudesse incentivar o ódio e a reprovação.

Na base desta primeira parte de uma eventual trilogia (Sun), o amor e o ódio andam lado-a-lado num conto dividido em três atos, cada um deles transportando para uma década diferente com personagens diferentes, sempre interpretado pelos mesmos atores. Esta convergência é rodada sob os mesmos cenários e sob a mesma temática: a rivalidade entre duas aldeias, ambas de etnias opostas, o berço de um romance proibido de contornos shakespearianos, que despoleta nos habitantes os sentimentos mais primitivos.

Nesta jornada em três tempos, Matanic manuseia um panorama social, elaborando o conflito bélico no primeiro ato (inicio dos 90), acentuando aqui o ódio que culmina em trágicos destinos. A desolação exposta pelo fim da guerra surge no ato seguinte (inicio do milénio). Os ódios perduram, mas são constrangidos e desafiados. Por fim, os ecos desse mesmo confronto e o otimismo do realizador vem ao de cima ao encerrar esse círculo de ressurreições num demorado happy ending (segunda década de 2000).

Obviamente, nada deste exercício seria bem-sucedido se Matanic não tivesse a sua mercê atores capazes de invocar tais desejos em personagens divergentes. Entre o elenco reserva-nos um grande trunfo, Tihana Lazovic, uma jovem apta para versatilidades integradas das diferentes figuras, expondo-se como um força motora neste conto de tragédia, indiferença e, por fim, um olhar terno a uma imensidão chamado futuro.

Conservando um realismo seco ao serviço de uma extensiva "fábula" de contornos bélicos para os dois sentimentos opostos (amor e ódio tem mais de comum do que de diferente), Sol de Chumbo é um dos raros exemplos de que por vezes as boas intenções concretizam belos feitos cinematográficos.     

Hugo Gomes



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