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«Ocho Apellido Catalanes» (Namoro à Espanhola - Aventura na Catalunha) por Duarte Mata

Soubéssemos nós do hype que o Namoro à Espanhola original (a tradução continua a parecer-nos grosseira) iria causar (chegou a figurar numa das últimas edições do livro 1001 Filmes Para Ver Antes de Morrer) e talvez não tivéssemos sido tão tolerantes. Longe de ser invejável, o filme de Emílio Martinez Lázaro era capaz de suster a difícil arte de fazer comédia numa realização pouco apressada que dava liberdade aos atores para embraçarem as personagens com os feitios peculiares. Não precisava de sequela. Definitivamente.

Passou-se um ano desde que Amaia e Rafa descobriram que, apesar da diferença culturais não podiam viver sem um outro. Infelizmente (ficamos a saber), chegou a altura do casamento e o gajo decidiu dar de frosques para a sua vida de boémio com que o tínhamos conhecido (ponto ilógico número 1). Mas Amaia, firme e resoluta, secou as lágrimas e abraçou o espírito de mulher independente para… logo a seguir ir casar com um catalão (ponto ilógico número 2), na altura em que a Catalunha proclama a sua independência. Rafa descobre e pensa “Epá, espera aí que a miúda tinha mais que uma boa figura e até que se calhar merecia algum respeito. Vou tentar arruinar-lhe o casamento e reconquistá-la que isto para as gajas é fácil de perdoar quem lhes partiu o coração” (ponto ilógico número 3). Chega o Rafinha ao casamento e diz Amaia “Ah que giro estás cá? Anda convidamos-te para o casamento, fica, fica.” (ponto ilógico… esqueçam, paramos aqui com as enumerações).

Perdoem-nos o cinismo, mas cremos que passámos a mensagem sobre o que ocorreu aqui. Com um sucesso bombástico entre mãos, os produtores do filme original quiseram criar uma sequela em cima do joelho (as datas de estreia entre as duas só têm um intervalo de ano e meio), sem prestarem muita atenção às pontas soltas do argumento, ora com um humor com referências à cultura espanhola inacessíveis a audiências estrangeiras, ora com uma estrutura básica e fastidiosamente previsível. As personagens não têm qualquer problema em armarem-se em tolas em situações mais que gastas no mundo da comédia (olha, é um homem em roupa interior escondido na varanda para não ser apanhado! Ahahah… não, espera, onde é que eu já vi isto?), mas também não hesitando em pôr-se com choradinhos e os “Te quiero!” do costume (juramos, é mais enervante do que uma maratona de episódios da Violetta!) nas cenas que têm de garantir que tudo acabe bem.

E acaba? Claro, com direito a filhos e tudo! O que quererá dizer que isto poderá ficar uma trilogia. É só o Rafa querer dar de "frosques" mais uma vez. Ou então ser raptado por ET’s já que a lógica ou competência aqui não fazem falta nenhuma.

O melhor:O meu noivo é um artista. Ao passo que tu pensas que Picasso é um Pokémon

O pior: Ilógico, um retrocesso na realização de Martines Lázaro e previsível.

Duarte Mata



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