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«Like Father, Like Son» (Tal Pai, Tal Filho) por Roni Nunes

Um filme de Hirokazu Koreeda é sempre garantia de uma experiência agradável para os sentidos. Desta vez ele cruza o destino de duas famílias de estatutos muito diferentes através de uma troca de bebés na maternidade. O erro é descoberto quando os meninos já têm seis anos, colocando os pais em dificuldades que não são difíceis de imaginar.

De um lado está Keita, cujo pai, Ryota (Masaharu Fukuyama), é um executivo bem-sucedido e cuja rigidez contrasta com a da mãe, Midori (Machiko Ono) uma dona-de-casa suave e afetuosa. Já os pais de Ryusei, Yukari Saiki (Yoko Maki) e Yudai Saiki (Franky Lily), são de classe média baixa (ele tem uma pequena loja), onde a mulher se sobressai como autoritária e ele como um bon vivant espontâneo.

Os bebés trocados servem para cruzar dois extratos sociais mas, sobretudo, duas formas de encarar a vida: a simplicidade e a vivacidade do pai pobre, por exemplo, contrastam com a severidade e a ação disciplinadora do rico – várias vezes confrontado com a sua paternidade ausente. Novamente a colocar crianças a lidar com os disparates dos adultos, um tema habitual do cineasta, o foco vai, no entanto, recaindo sobre Ryota, a quem caberá os maiores dilemas e transformações ao longo da história.

Apesar da classe e da poesia habitual, desta vez Koreeda foi atraiçoado pelos rumos que deu ao enredo a partir da metade, criando situações incoerentes com a personalidade dos adultos (com exceção de Ryota) e resultando numa cena, a da fotografia à beira do rio, que, só para um padrão de frieza nipónico, não pareça desprovida de sentido. Mesmo assim, a emotividade subtil e as maravilhas que o cineasta faz com a linguagem cinematográfica o colocam sempre num patamar elevado. Os direitos da obra já foram comprados em Hollywood, onde ela deve ser arruinada de vez, só para não variar.


Roni Nunes



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