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Trailer de «Captain Marvel»

 Foi divulgado o trailer Captain Marvel, filme protagonizado pela galardoada atriz Brie Larson (Room, Kong: Skull Island) e dirigido pela dupla Anna Boden e Ryan Fleck.

Na obra seguimos uma piloto da Força Aérea, Carol Danvers, que adquire dotes sobre-humanos após o contacto com tecnologia alienígena. Decidida a combater o crime e defender o seu planeta, ela torna-se a Captain Marvel.

Vale a pena salientar que Captain Marvel, criado em 1967, era inicialmente um personagem masculino, uma resposta da editora ao rival Super-Homem da DC Comics, visto que ambos eram alienígena a tentarem adaptar ao planeta Terra. Carol Danvers, que fez a sua estreia em 1968, era descrita como o interesse amoroso do herói, mas as ideia do criador era de a converter numa super-heroína, visto que existia uma escassez nessa temática.

No inicio dos anos 70, estava agendado a primeira aventura a solo da personagem, o que não aconteceu em consequência dos executivos que acreditavam que a fabricação de super-heroínas era dispendioso e pouco rentável. Mas no final da década, Carol Danvers conseguiu a sua pessoal jornada heroica sob o título de Ms. Marvel, integrou também as equipas sobre-humanas, The Avengers: Os Vingadores e X:Men. Em 1982, o original Captain Marvel morre e Mrs. Marvel assume o seu legado.

O filme tem estreia para março de 2019.

 
 

Morreu Kirin Kiki, a nossa "avó japonesa"

Morreu a veterana e premiada atriz Kirin Kiki, que tem sido uma habitual presença nas últimas obras de Hirokazu Koreeda, principalmente em Shoplifters, filme vencedor da Palma de Ouro de Cannes de 2018. A atriz faleceu na manhã de sábado na sua habitação em Tóquio. Sofria de cancro, porém, ainda é incerta a causa da sua morte. Tinha 75 anos.

Tendo como nome verdadeiro Keiko Uchida, Kiki sempre se considerou numa atriz atípica, defendendo que os seus papeis não possuíam qualquer processo de transformação, aquelas personagens tinham bastante dela própria. Estreou no cinema em 1966 com Zoku Yoidore hakase, de Akira Inoue, mas antes havia integrado grupos de teatro desde o liceu. O seu primeiro nome artístico era Yuuki Chiho.

A sua carreira tem sido versátil, passando, obviamente pelo Cinema, assim como a Televisão, sobretudo em seriados e também dando voz a diversas produções de Anime. Tornou-se uma cara reconhecida graças aos seus papeis nos filmes de Hirokazu Koreeda desde o aclamado Andado (Aruitemo aruitemo) em 2008. Trabalhou com Naomi Kawase em An (2016), filme que lhe deu algum destaque nos recentes anos.

Edgar Pêra "arrasa" salas de cinema de Lisboa

O realizador Edgar Pêra, cujo O Espectador Espantado chegou esta semana às salas, divulgou através das redes sociais a sua indignação em relação às exibições nas salas de cinema, frisando, sobretudo, as de Lisboa, aquando de um episódio ocorrido na sessão de estreia.

Fala-se muito na morte do Cinema mas na realidade são as salas de cinema que definham. O Espectador Espantado não foi exibido no seu dia de estreia no Alvaláxia devido a problemas técnicos com a projeção 3D. Imaginem se o mesmo se passasse com os Vingadores ou com os Incríveis II (ambos filmes 3D), o escândalo que seria... Mas não só os cinemas privados que desinvestem na qualidade das suas projeções.”

“Muito recentemente mostrei na Culturgest O Homem Pykante e o som era totalmente deficiente: ao que parece uma coluna tinha morrido e não lhe tinham feito o funeral. Mas o cúmulo foi quando um técnico sugeriu ao misturador do filme que fizesse novas misturas para as especificidades daquela sala.... Também a última vez que projetei um filme no São Jorge, o som era uma miséria, e consta que apenas usam as melhores lâmpadas do projetor em sessões oficiais."

"Não sei se a situação se mantém nestas salas, mas ainda há pouco vi no Corte Inglês um filme numa versão escura e sem contraste. A decadência do cinema enquanto fenómeno coletivo será inevitável? (não costumo postar este tipo de comentários, mas já é confrangedor estrear um filme numa só sala em Lisboa, quanto mais ver sabotada a sua estreia).”

O Espectador Espantado é visto como um filme-ensaio que questiona a existência e longevidade do Cinema e a sua relação com os espectadores e vice-versa. A obra conta ainda com entrevistas a personalidades como o filosofo Eduardo Lourenço, o crítico Augusto M. Seabra e os realizadores Guy Maddin e F.J. Ossang.

«Girl» por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

Como um recente programa de culinária, o termo “receita com twist” pode muito bem ser aplicado nesta estreia no universo das longas por parte do jovem Lukas Dhont, que cita a sua anterior curta Corps Perdu (2012) como um corrimão de apoio para um inesperado bailado. Esse, não literal à temática secundária do filme, que funciona ao jeito de uma prolongação “distópica” a Billy Elliot (a diluição de géneros para rompimento das leis embaladas da nossa sociedade, que assumem, acima de tudo, patriarcais), mas na consistência da sua narrativa diurnal, periódica nas fases de um jovem transgénero que se desfila perante o baile da sua autodeterminação.

Assim, sem mais demoras e na viabilidade de chocar o espectador com a “estranheza” do (não)reconhecimento, somos apresentados a Lara (Victor Polster), jovem ansioso pela sua mudança radical (impacientemente ansioso acrescente-se) e com isso seguir o sonho de se tornar bailarina. O que impede é claramente uma certa dissertação inerente, um isolamento emocional por parte da sua inadequação que o afasta dos demais, principalmente da família que abraça a sua causa como derradeira missão ou das paixonetas, tão particulares em verdes anos que surgem como turbilhões identitários.

Tendo em conta a generalidade dos contos transgéneros, o bullying físico-psicológico é algo abandonado por Lukas Dhont. O seu reconto nesses aspetos cada vez mais debatidos e urgentes parte vão em investida direta com as questões sentimentais do protagonista ao invés de focar numa sociedade em repudia perfeita. O que vemos, nessa questão social, é um comunidade aberta e recetiva a essas mudanças fisiológicas e de status, e é através disso que deparamos com outro tormento a transientes, a sua auto-inserção /aprovação.

Lukas Dhont estabelece um quadro-cotidiano desta Lara, embarcando num realismo formal, mas completamente orgânico para com a câmara, ponto que viabiliza as sequências de dança no atelier com uma vibrante sincronia. Obviamente que esta carnalidade da câmara com a ação é fortalecida em efeito à dedicação e exposição do ator e dançarino Victor Polster. É inegável o seu estado de graça, contagiante … aliás, diria antes, transparente e traspassável (a transição funciona como um elo mais abrangente que a temática sexual, a ligação crucial entre espectador e filme / nossa realidade com a realidade filmada). A sua sensibilidade, a sua melancolia desgastante e por fim a sua dor, simples processos de fenomenologia, pontuam como triunfos nesta relação de confidências entre realizador e ator.

Cumplicidades que nos guiarão cegamente para o mais cruel dos desfechos. Lembram-se das “receitas com twist” ... pois bem ... o que aparentemente era mais um exercício de quotidiano encenado, revela-se numa provocação. Em seu jeito, uma prank, sob o gesto de abanar consciências, mais que simples éticas sociais, a da natureza inconformista e inquieta do ser humano, o impulsor desta jornada de sentidos e sentimentos. Uma das grandes estreias no “cinema para grandes”, Lukas Dhont é [indiscutivelmente] um nome a seguir.

Hugo Gomes

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