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Weinstein, um ano depois. Cinco filmes sobre o escândalo

  • Publicado em Artigos

 

Um ano depois de explodir o escândalo em torno de Harvey Weinstein, o mundo do cinema continua abalado, mas uma das vias adotadas para lidar com a situação é execução de alguns filmes em torno do caso, alguns dos quais com nomes bem conhecidos envolvidos na produção e realização, como Brian De Palma, Brad Pitt e David Mamet. Mas vamos começar pelos documentários...

Há pelo menos dois trabalhos dignos de realce, The Reckoning: Hollywood's Worst Kept Secret e Weinstein. O primeiro vem assinado por Barry Avrich, que há oito anos apresentou no Festival de Toronto um documentário sobre o produtor, quando ele estava no auge. Agora, Avrich fala do lado mais negro de Weinstein, tendo já apresentado o filme no Festival Internacional de Documentário Hot Docs do Canadá.

Weinstein vem assinado por Ursula Macfarlane, que dirigiu  Charlie Hebdo: Three Days that shook Paris. Segundo Tom McDonald da BBC, que encomendou o filme, a produção promete minuciosamente contar os detalhes em torno do caso que veio a público nos últimos meses, mas também examinará a história do abuso de poder em Hollywood, em particular após o surgimento do sistema de estúdios: "É um filme que será perguntas difíceis e desafiadoras sobre a cumplicidade, o preço do silêncio e os efeitos corrosivos do poder", afirmou. O filme de 90 minutos contará com testemunhos das atrizes, agentes e produtoras que alegam ter sido vítimas de Weinstein.

Ficções

Um dos projetos avançados é Predator, com o realizador de Carrie, Os Intocáveis e Vestida Para Matar, Brian De Palma (na imagem acima), na liderança. "Estou a escrever um filme sobre esse escândalo, que atualmente estou a discutir com um produtor francês. A minha personagem não será chamada Harvey Weinstein. Mas será um filme de horror, com um agressor sexual, e isso acontecerá na indústria cinematográfica.", afirmou o cineasta há uns meses ao Le Parisien aquando da apresentação na capital francesa do seu primeiro romance e de estar em foco numa retrospectiva na Cinemateca de Paris. Na época, o realizador estava em discussões com Saïd Ben Said, o qual num Tweet publicou uma foto confirmando o projeto do filme e revelando o seu título.

Como no início de 2019 o cineasta vai filmar um drama policial no Uruguai, intitulado Sweet Vengeance, no início de 2019, é de prever que as filmagens deste Predator comecem no verão.

Outro dos projetos em torno do fundador da Miramax e Weinstein Co. tem o dedo de David Mamet (na imagem abaixo), dramaturgo, argumentista e realizador americano (O Prisioneiro Espanhol). Ao promover o seu último livro, Chicago, Mamet afirmou que foi o seu produtor da Broadway, Jeffrey Richards, quem sugeriu que ele escrevesse uma peça sobre o caso. Ao Chicago Tribune ele disse que a peça se ia chamar Bitter Wheat.
Segundo o New York Post, John Malkovich foi abordado para o papel principal. Primeiramente este projeto será encenado em Londres e depois na Broadway, apenas se for bem-sucedida (A última peça de Mamet, China Doll, com Al Pacino, foi um fiasco). Vale a pena recordar que Mamet já abordou na sua carreira a questão do assédio sexual, nomeadamente na sua famosa e controversa peça de 1992, Oleanna. Este trabalho viria a ter uma nova versão na Broadway em 2009, com Bill Pullman e Julia Stiles a subirem ao palco.

Finalmente, há também um projeto na Plan B de Brad Pitt, que em conjunto com a Annapurna Pictures vão produzir um filme dos bastidores da investigação pelos repórteres do New York Times, Jodi Kantor e Megan Twohey. A ideia é seguir a linhagem de filmes como Os Homens do Presidente, que narra a investigação dos jornalistas do Washington Post ao Watergate, ou Spotlight, sobre a investigação do Boston Globe ao abuso sexual na igreja católica.

Johnny Hallyday novamente no grande ecrã

Foi lançado o primeiro álbum póstumo de Johnny Hallyday, cantor e ator falecido em dezembro de 2017Com o nome "Mon pays c'est l'amour" (O meu país é o amor), este trabalho musical - cuja primeira edição conta com 800 mil cópias - tem no vídeo do seu primeiro single, "J'en parlerai au diable", imagens da última viagem de mota de Johnny pelos Estados Unidos em 2016.

 

Segundo o seu agente, Sébastian Ferran, numa entrevista ao Le Parisean, podemos contar no futuro com um filme a acompanhar o álbum: "Ele sonhou que o seu próximo álbum seria acompanhado por um filme. É verdade que tudo do Johnny estará lá: a sua América, o rock'n'roll, as motos, os amigos. O filme será lançado, é o próximo passo."

Aqui fica o álbum Mon pays c'est l'amour:

 

Hallyday

De origem belga, Hallyday nasceu em Bruxelas como Jean-Philippe Smet e tornou-se famoso na década de 1960 por cantar Rock 'n' Roll em francês. O seu single de estreia, "Laisse les filles", foi lançado pela Vogue em março de 1960, bem como o seu primeiro álbum, Hello Johnny. O Cinema sempre foi uma paixão e ele próprio sempre o confessou: "O cinema, sou eu desde que era criança (...) Fui criado por pessoas que faziam música e levado para todo o lado desde os dois anos de idade (...) Para mim, a única maneira de escapar, de sonhar, era ir ao cinema ".

A sua primeira aparição na 7ª arte deu-se em 1955, como figurante em As Diabólicas, de Henri-Georges Clouzot. Depois disso, foi protagonista de Donde vens tu, Johnny? (1963) e marcou presença ainda nesta década em obras como À procura de um ídolo (1964)Os Hippies e os Gangsters (1968) e Gli specialisti (1969), de Sergio Corbucci.

Na década de 70 participou em obras como Ponto de Encontro (1970), Aventura é Aventura (1972) e O Belo Animal (1977), enquanto nos anos 80 destacou-se em Mafia em Paris (1985) de Jean-Luc Godard. Ainda nesta década ficou na memória a sua participação em Terminus (1987), um verdadeiro desastre que tentava alguma colagem a Mad Max e Rollerball [é um dos filmes menos cotados na IMDB, com 2,8].

Foi a partir de 2002 que ganhou um novo fôlego no grande ecrã, primeiro com O Homem do Comboio (2002), de Patrice Leconte, e no final da década protagonizando Vingança (2009) do cineasta de Hong Kong Johnnie To. Recentemente pôde ser visto nas nossas salas [na Festa do Cinema Francês] num pequeno papel em Rock'n Roll (2016) de Guillaume Canet. Chacun sa vie (2017) de Claude Lelouch foi o seu último trabalho no Cinema a estrear nas salas francesas. 

Hallyday faleceu a 5 de dezembro de 2017.  A estrela tinha anunciado em março desse ano sofrer de cancro. No final de julho, foi internado no hospital em Paris para se submeter a vários exames para planear a quimioterapia antes de partir de férias para Saint-Barth. Os rumores sobre a deterioração do seu estado de saúde foram aumentando até à sua morte.

Terrence Malick colaborou num anúncio ao Google Pixel 3

O novo smartphone da Google teve a participação "do realizador Terrence Malick e dos seus colegas de trabalho" para a concretização de um anúncio publicitário. Nesse vídeo - com cerca de um minuto e trinta segundos - podemos ver algumas das marcas do cineasta.

Ao som de Raconte-Moi Histoire, do grupo de música eletrónica, originário de França, M83, seguimos uma criança que nos vai contando: "Eu ouvi  falar sobre esse sapo. É um sapo muito pequeno, mas também muito especial. Se tocar nele, o seu mundo pode mudar para sempre. O azul torna-se vermelho e o vermelho transforma-se em azul - nada será mais o mesmo ".

Recorde-se que o próximo filme de Malick é baseado na vida de Franz Jägerstätter, um objector de consciência austríaco que se recusou a lutar pelos nazis. August Diehl interpreta Jägerstätter, com Valerie Pachner, Michael Nyqvist, Matthias Schoenaerts, Jürgen Prochnow e Bruno Ganz também no elenco.

João Salaviza: "Estou infiltrado num grupo de apoio a Bolsonaro (...) 99% das notícias partilhadas são absurdamente falsas"

Numa crónica no jornal Público, intitulada Exorcismos, o realizador português João Salaviza afirmou que está "infiltrado num grupo de apoio a [Jair] Bolsonaro no WhatsApp" e que escrutinando tudo o que leu, deparou-se com cerca de 99% de notícias partilhadas "absurdamente falsas". Quanto ao resto, o realizador de Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos, rodado junto aos Krahô, povo indígena do Brasil, diz encontrar um "discurso de ódio, apologia da violência, raiva irracional e fanatismo religioso".

Explicando ao jornal as suas raízes e ligações ao Brasil, Salaviza conta alguns episódios do sentimento que se vive no país e assegura que "A campanha de Bolsonaro, totalmente ancorada em grupos autónomos de WhatsApp, foi eficaz ao formar uma massa de fanáticos que aderiu a um regime de violência e constante policiamento a todas formas de diferença e alteridade".

Recorde-se que Jair Bolsonaro vai concorrer na segunda volta das eleições com Fernando Haddad. O escrutínio está marcado para o próximo 28 de outubro.

 

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