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Palavras de Bernardo...

 

Foi em Cannes, em 2010, que começou o boato de que Bernardo Bertolucci - falecido esta segunda-feira, aos 77 anos - encararia o desafio de filmar uma longa-metragem mesmo confinado a uma cadeira de rodas. Após o sucesso de Os Sonhadores (2003), ele foi submetido a uma operação na coluna cervical e a cirurgia acabou mal: um erro médico afetou a vértebra do mítico realizador de O último tango em Paris (1972). Avesso ao verbo "desistir", ele rodou Eu e tu (Io e Te), sobre a relação tempestuosa entre um garoto introspetivo e a sua irmã. O projeto ganhou forma em 2012, exibido em Cannes, fora de concurso. No ano seguinte, ele conversou com o C7nema"durante uma projeção do longa numa mostra em sua homenagem no Rio de Janeiro. Voltaria a conversar conosco em 2014. Eis o saldo, algumas frases interessantes, que sairam dessas conversas:

"Bons cineastas jovens não faltam à Itália. Mas cinema não transforma nações. O que nos falta é uma juventude com um instinto combativo para sair as ruas e exigir daqueles que podem efetivamente mudar as coisas uma atitude respeitosa em relação às demandas do povo. Sem esse instinto, a democracia vira uma fábula".

"Não sou preso ao passado, não fico revendo memórias, não me interesso pelo sentido da Morte: gosto da vida, gosto de estar do lado de jovens que me garantam meios de filmar, de agir, de trocar ideias. Futuro também não é uma palavra que eu cultue. O presente é o que me interessa: há muito a ser mudado nele".

"Confundiram a palavra 'dignidade' com saúde. Isso sugere que um homem digno é um homem que se move com as próprias pernas, com o físico saudável. Se pensarmos assim, o que seria uma sociedade digna? Uma democracia digna?"

"A cadeira de rodas pode ser uma amiga muito fiel quando a gente tem vontade de seguir em frente".

"O cinema precisa ir além do que a imagem mimetiza e se apoiar nas sensações. É a experiência sensorial que nos permite entender as discussões culturais que estão expressas nos filmes".



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