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Oscar de animação: um canteiro de ousadia

Tito e os Pássaros

Chegamos à Oscar season, apelido dado à temporada em que a indústria cinematográfica em peso volta suas atenções às premiações que circundam a estatueta da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood e, este ano, fala-se já em prémios para Spike Lee (por BlackKklansman, que estará semana que vem no Festival do Rio), para Gleen Close (por The Wife) e para Green Book, com Viggo Mortensen e Mahershala Ali. Isso sem contar toda a claque organizada em torno de A Star is Born, de Bradley Cooper.

Porém, a categoria que mais (e melhor) promete surpresa para a cerimónia de 2019 não envolve grandes estrelas, nem realizadores combativos: é o prémio de Melhor Longa-metragem de Animação que mais se espera diversidade e inteligência. É onde o Brasil pode fazer a festa, graças à produção Tito e os Pássaros, uma reflexão sobre o medo feita pelos realizadores Gabriel Bitar, André Catoto e Gustavo Steinberg. O filme está incluído na lista dos 25 filmes inscritos para brigar por uma vaga na disputa pelo prémio animado da Academia, que será entregue em 24 de fevereiro: o rol de potenciais concorrentes acaba de ser anunciado pelo site Awards Daily, especializado nas láureas dos ecrãs. Desses 25, ficam só cinco, a serem anunciados no dia 22 de janeiro. Mas a julgar pelas inscrições, vai ser um evento diferente, desafiando a hegemonia da Pixar/Disney. Até a Marvel vai entrar no páreo.

Spider-Man: Into the Spider-Verse

Uma das grifes mais poderosas da indústria do entretenimento, pela sua linha de super-heróis, a Marvel quer ter um Oscar para chamar de seu e vai tentar, via Sony Pictures, emplacar uma aventura animada já anunciada nas cenas pós-créditos do sucesso Venom: Spider-Man: Into the Spider-Verse, de Bob Persichetti, Peter Ramsey e Rodney Rothman. O seu protagonista é o jovem negro Miles Morales, o novo Aranha, que se une a Peter Parker para deter uma ameaça que envolve universos paralelos. Nicolas Cage integra o elenco de dobragem nos EUA. A julgar pelas primeiras imagens, a Marvel tem fortes chances de ganhar, isso se conseguir debelar a força de Ralph Breaks the Internet, a sequela de Wreck-It Ralph (2012), a nova atração do império de Mickey Mouse. Mas, este ano, a Disney vai ter adversários mais alternativos em sua estrada de glória.

Se do lado das superproduções, Ralph’ vai confrontar com o Homem-Aranha, no campo das produções independentes ele vai enfrentar o cultuado Wes Anderson com Isle of Dogs, que lhe rendeu o Urso de Prata de Melhor Realização no Festival de Berlim. Nele, Wes narra a saga de um miúdo que busca o seu cão de estimação num depósito de material reciclável situado ao redor de um Japão futurista.

"Esta é uma mistura de Miyazaki com Kurosawa, para misturar épico e fabulação", disse Wes ao C7nema, na Berlinale. "Tenho uma filhinha pequena cujo tempo de vida é o tempo que gastei a fazer este filme".

Lu Over the Wall

Falando das terras japonesas, espera-se delas um trio de candidatos ao Oscar de Animação: a sensação de Cannes, Mirai, de Mamoru Hosoda; Fireworks, que Akiyuki Shinbo e Nobuyuki Takeuchi exibiram no Festival de San Sebastián; e Lu over the Wall, que rendeu a Masaaki Yuasa o Prémio de Melhor Filme em Annecy, em 2017. O primeiro desses títulos remete a um menininho de 4 anos que viaja no tempo após ser tomado de ciúmes frente à chegada de sua irmãzinha. O segundo acompanha os dilemas de uma adolescente que sonha em fugir de casa, mas que é prejudicada por uma aparição sobrenatural em sua aldeia. Já “Lu...” trata de uma sereia que quer dialogar com humanos.

A animação ganha muito com o colorido regional, com as influências culturais que cada realizadorr traz de sua nação”, diz Hosoda ao C7nema em Cannes.  

Há chances de a China concorrer na seara animada com Have A Nice Day, uma comédia criminal de Liu Jian sobre uma maleta disputada pelo submundo do crime. De terras latinas, além do brasileiro Tito e os Pássaros, há um mexicano com fôlego para troféus: Ana y Bruno, de Carlos Carrera, cineasta que assolou as bilheterias de seu país em 2002 com O Crime Do Padre Amaro, com Gael García Bernal. Em três meses, saberemos quem será selecionado.



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