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Gael García Bernal dá vida ao 'Museo’ do cinema autoral mexicano

Envolvido neste momento com o novo filme do cineasta chileno Pablo Larrain, o drama Ema, depois de ter trabalhado com ele em No (2012) e Neruda (2015), o galã mexicano Gael García Bernal, cheio de compromissos com a teledramaturgia em séries para a Amazon (Mozat in the Jungle) e a YoutubeTV, resolveu prestigiar o cinema da sua pátria, em uma pequena produção sobre um crime que mobilizou a mídia na sua juventude. Graças à participação do ator de Amores Perros (Alejandro G. Iñárritu, 2000), o tal projeto, assinado pelo realizador Alonso Ruizpalacios, saiu do papel com sucesso de público e crítica, mobilizando festivais do mundo inteiro, como o recente BFI – London Film Festival o os festivais de Toronto, Karlovy Vary e Los Angeles.

É importante voltar para casa, uma vez por outra, e retratar algo que faz parte de nossa identidade”, disse Gael ao C7nema no Festival de Berlim, de onde a longa-metragem saiu com o prémio de Melhor Roteiro.

Com a recente vitória da produção Netflix, ROMA, de Alfonso Cuarón, na disputa pelo Leão de Ouro do Festival de Veneza, e o mediatismo em torno de Nuestro Tiempo, de Carlos Reygadas, o México anda em altas nos ecrãs e na cotação de Hollywood, até hoje bem impressionada pelos quase US$ 20 milhões arrecadados lá por No se Aceptan Devoluciones (Eugenio Derbez, 2013). São tempos em que qualquer bom filme vindo do México se transforma em um potencial sucesso. Não esquecer que o Oscar 2018 de Realizador foi para um mexicano: Guillermo Del Toro, por The Shape of Water (A Forma da Água). O enamoramento mundial com nuestro hermano da América do Norte transformou Museo em um dos filmes mais aclamados da atualidade. Este thriller inspirado em um lendário roubo de obras de arte ameríndias foi rodado parcialmente em Acapulco e cheia de citações ao programa humorístico Chaves, um fenómeno nas Américas.

Com um ritmo frenético e uma estrutura de narrativa avessa às cartilhas do heist movie, este filme de Alonso Ruizpalacios esgota sessões nos EUA há cerca de um mês e meio. É um dos maiores sucessos recente de Gael como ator.

“Lembro de ser ainda bem pequeno quando o roubo de artefactos de nossas antigas civilizações parou o México. Só se falava nisso, porém, mal tinha idade para entender o que a palavra museu queria dizer”, disse o ator de Babel (Alejandro G. Iñárritu, 2006) na Berlinale.

Além de trazer a melhor interpretação do galã desde seu trabalho como Che Guevara em Diarios de Motocicleta (Walter Salles, 2004), a longa-metragem surpreende pelo teor de excentricidade com que pinta o vazio existencial da jovem classe média mexicana dos anos ‘80. Há até uma divertida menção à vila do Chaves, o comediante mais famoso do México na TV, numa cena em que Gael usa uma camiseta com a cara do mais ilustre inquilino do Sr. Barriga para embrulhar um artefacto raro.

“Nunca sei explicar o método em que atuo, sobretudo para dar complexidade a um personagem desses de ‘Museo’, mas sei que, quando Alonso me procurou, há algum tempo, eu fui engolido por essa história, que fala sobre vazios distintos”, disse o ator.

Em Museo, ele aposta num fino registro de humor ao encarnar Juan, funcionário do Museu Nacional de Antropologia da Cidade do México. Na noite de Natal de 1985, Juan tem a ideia do roubo, arrastando o amigo Wilson (Leonardo Ortizgris) consigo. “Apesar de nosso empenho em valorizar os factos reais, a família dos ladrões não quis se envolver em nada com o filme, o que foi ótimo”, disse Ruizpalacios, cineasta de 40 anos revelado em 2014 com o elogiado Güeros. “Na prática da filmagem, não ter o cerceamento dos reais personagens nos deu liberdade para criar situações”.

Convidado para viver Zorro na televisão, Gael entra em Museo também nos créditos de produção, que tomou o Festival de Berlim de assalto. O dispositivo narrativo armado por Ruizpalacios dribla as expectativas do público a cada cena, criando múltiplas camadas, nas quais se destaca ainda o aclamado ator chileno Alfredo Castro (Tony Manero). Ele desempenha o pai de Gael na enredo. A sequência do roubo é bem-humorada e esbanja domínio de câmara.

Há, ainda, em Museo, um debate sobre a inquietações de classes sociais. Existe uma discussão sobre o que vale mais para a cobertura da mídia para um caso ligado ao patrimônio: uma saborosa mentira ou uma frustrante verdade. E há uma celebração da cultura mexicana. “O que menos importa ao filme é o roubo, a intriga, e sim os dilemas internos dos envolvidos, que estão num tempo de maturidade afetiva”, disse Ruizpalacios ao C7nema. “Eu nasci na classe média do México, filho de um médico, numa casa com conforto. Não saberia como falar das favelas do meu país, mas tenho interesse em falar do mundo que conheço. O México é uma nação muito complexa e quero celebrá-la com este filme”.



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