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Gabriele Muccino​ considera Pier Paolo Pasolini​ «um 'não realizador' sem estilo»

Na passada segunda-feira, 2 de novembro, fez 40 anos que faleceu Pier Paolo Pasolini. O realizador Gabriele Muccino aproveitou a data para publicar na sua página do facebook um texto polémico sobre o aclamado cineasta italiano. As suas duras palavras lançaram uma verdadeira rebelião nas redes sociais e nos Media italianos, levando mesmo o autor da publicação a retirá-la do «ar» e a responder posteriormente à ira dos cinéfilos e críticos.

Muccino começa logo por dizer que o que vai dizer vai ser «impopular e talvez, quem sabe, um sacrilégio», mas logo a seguir confessa que ama «o Pasolini pensador, jornalista e escritor», em oposição ao Pasolini realizador, o qual ele considera eternamente «fora do seu lugar», ou seja, «um "não realizador" que usou a câmara como um amador, sem estilo, sem um ponto de vista puramente cinematográfico nas coisas que fazia», isto nos anos em que o cinema italiano era grandioso e servia como escola em todo o mundo.

O realizador de filmes como O Último Beijo (2001), Em Busca da Felicidade  (2006) e Sete Vidas (2008) prossegue na sua análise, defendendo que «Pasolini involuntariamente abriu a porta para a ilusão de que o diretor era uma figura e um papel acessível a qualquer pessoa». Segundo ele, isso levou à «dissolução da elegância» que o cinema italiano foi construindo, acumulando e elaborando a partir de Rossellini e Vittorio de Sica, e depois com Fellini, Visconti, Sergio Leone, Petri, Bertolucci: «Não basta ser escritor para se tornar realizador. O inverso também acontece. O cinema italiano morreu dali a pouquíssimos anos  com uma longa série de realizadores improvisados que trocaram o cinema por outra coisa  qualquer[que não deve ser chamada de cinema] (...) com todos aqueles que seguiram o caminho da arrogância intelectual a recusarem-se a demolir a necessidade do cinema ser uma arte popular, e privando-nos de uma herança importante que nos levou de ser a segunda maior indústria cinematográfica do mundo para uma das mais invisíveis.».

Muccino encerra o texto referindo o legitimo e imenso respeito pelo poeta e narrador Pier Paolo Pasolini, isto «numa época em que muito poucos questionavam, provocavam ou analisavam a sociedade». Porém, e segundo ele, «o cinema é outra coisa».



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