Lars Von Trier atropela Cannes com "a arte de matar" - C7nema
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Lars Von Trier atropela Cannes com "a arte de matar"

Art is Everything! Art is Divine!

Estas duas frases acompanham permanentemente o ensaio estilistico que Lars Von Trier apresentou ontem em Cannes, The House That Jack Builtprodução inicialmente pensada como uma série de TV e cujo título é uma alusão a um antigo poema infantil inglês que já fora utilizado numa das anteriores obras de Von Trier (The Element of Crime de 1984).

Apesar de ser quem é, e de sabermos a sua tendência para a provocação e facilidade em se tornar persona non grata, o novo projeto do dinamarquês provocou amargos de boca a muitos dos que assistiram à sua estreia no Festival, sendo frequente encontrar hoje na imprensa notícias sobre uma enorme debandada de espectadores durante a sua exibição, e adjetivos como tóxico, grotesco, repulsivo e infernal a acomularem-se na descrição do filme, que tal como Ninfomaníaca recorre à gímnica formal do apresentar a sua história - de inspiração em Fausto, Dante e com muito de Henry: A Sombra de Um Assassino (1986) - por capítulos.

Conhecendo Jack

A ação desta obra é-nos apresentada entre os anos 70 e os 80 do ponto de vista de um assassino em série, o arquiteto Jack (Matt Dillon), o qual aspira construir uma casa perfeita. Pelo meio de mortes e outras crueldades, imagens de arquivo do Holocausto, em especial das valas comuns e a vítimas, algumas delas, ainda vivas, atravessam-se no caminho e mente do assassino. Será que Trier tenta uma comparação na "arte de matar"? Será antes um reflexo da psicopatia de ambos os casos? Von Trier lá saberá...

Certo é que Dillon e o seu Jack, não fosse ele um serial killer inteligente impedioso, pratica o que de pior há no ser humano. Não apenas o matar, mas a tortura e o estudo da forma de o fazer como se de uma ciência ou arte se tratasse. Sim, há crianças assassinadas, mutilação, crueldade animal (uma das cenas que levou mais gente a sair da sala é desta índole), taxidermia com seres humanos, e muito mais.  Mas mais que o conteúdo ou o grafismo, que qualquer conhecedor do cinema de horror está habituado a visitar, o que verdadeiramente choca em The House That Jack Built é a abordagem, o facto de tudo ser visto do ponto de vista de Jack e de Von Trier dar uma sensação estranha e bizarra de saber muito bem do que está a falar.

Bruno Ganz, Riley Keough, Sofie Gråbøl, Siobhan Fallon Hogan e Uma Thurman fazem também parte do elenco. The House That Jack Built estreia este ano nos nossos cinemas e será distribuído em Portugal pela Leopardo Filmes.



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